05 janeiro 2013

ANTES E DEPOIS


Tinha 23 anos, era estudante de medicina, morava na capital da Índia.
No dia 16 de Dezembro, um domingo, foi ao cinema com o namorado e no fim da sessão apanharam um autocarro de regresso a casa, um autocarro privado, meio de transporte vulgar no Oriente e em África, onde os veículos alternativos são comuns.
Era uma morena bonita e no cimo dos degraus esperava-o o inferno: durante duas horas foi repetidamente violada por seis homens, um deles o condutor do autocarro, que não quis deixar de aproveitar aquela geral. Como tudo se passou sempre em andamento supõe-se que se terão revezado: ora ao volante, ora à violação.
Não satisfeitos por se terem aliviado num corpo que não os desejava, ainda com a vontade de estragar por satisfazer, destruíram-lhe a vagina com uma vareta de ferro, com tal ânsia experimental que lhe rebentaram o útero e esfacelaram irremediavelmente 90 % dos intestinos, ou seja, cerca de cinco metros de vísceras humanas.
Acabado o festim, com o autocarro sempre a correr em direcção ao inferno, atiraram o namorado e a rapariga nua para a noite e o asfalto, tendo ainda o cuidado de a tentar atropelar para que não restassem dúvidas ou sobrassem revelações.
O estado em que a moça ficou foi tal que na capital da Índia não lhe conseguiram resolver os agravos, teve de ser transferida para Singapura, onde há cuidados médicos mais sofisticados. Apesar dos esforços, morreu dias depois, quase em cima do novo ano.
Dizem agora os jornais que os violadores, os assassinos em série – parecem palavras mais apropriadas – arriscam a pena de morte. Dedico a este caso uma das minhas doze uvas-passas da meia-noite da passagem de ano e desejo que, dando-lhes a compaixão que não merecem, os enforquem com rapidez.