15 janeiro 2018

UMA TRAGÉDIA NUNCA VEM SÓ (em 2 andamentos)

1. Stabat mater dolorosa

                        Stabat mater dolorosa
Juxta crucem lacrymosa
Dum pendebat filius

[De pé, a mãe dolorosa
Junto da cruz, lacrimosa
De onde pende o seu filho]

Considere uma vida razoavelmente feliz, um trabalho estável, um casamento desfeito mas de que ficou um filho que é a razão e a alegria dos seus dias. Tem cinco anos, o menino, está naquela fase do crescimento intensamente comunicante, enche os cantos à casa com o seu tagarelar ininterrupto, a vivacidade de ave; os gestos de ternura inesperados, as perguntas em catadupa, as ilações sobre o universo deixam a mãe, ao mesmo tempo, surpreendida e maravilhada. Por vezes, pergunta-se como foi possível viver antes dele, o que seria de si sem ele.
Considere a manhã de um dia de Verão, um dia azul e quente em que acorda para a notícia de que esse seu filho ardeu. Ardeu, sim, foi consumido pelas chamas quando se movia de automóvel na companhia segura do pai e da avó, que também pereceram no acidente. Ardeu, arderam os três; só sabe que arderam, ninguém tem sequer informação sobre onde estará o corpinho, ou o que dele resta, vai ter você de ir dar conta do recado, sozinha; não aparece ninguém para ajudar.
Considere ainda que lá fora, no local onde mora, é o caos, o inferno, sabe-se agora que arderam dezenas de pessoas: há pais sem filhos, viúvos a estrear, filhos sem pai ou mãe ou sem ambos. Ainda não se tem ideia segura de quantas pessoas estarão em cada um dos pratos da balança, quem ficou na estrada e quem escapou. Como se não bastasse, a sua terra foi invadida pelas televisões e, farejando os ecrãs, pelos políticos. Quando liga o aparelho ouve o Governo dizer que você e os seus vizinhos não devem estar à espera do Estado para resolver o problema, que deve arregaçar as mangas e ir combater as chamas; que aquilo vai voltar... O primeiro ministro está de férias no estrangeiro e não achou motivo para as interromper, a responsável pela Administração Interna, quando apertada pelos jornalistas, diz que teria sido muito mais fácil para ela ter metido férias, que já vai atrasada no direito ao merecido descanso. A Protecção Civil está em Lisboa, monitoriza o assunto sentada em frente a um computador... Ministros e secretários de estado acabam por aparecer a reboque ou arrastados pelas orelhas pelo Presidente da república que, após breve hesitação, acordou para a realidade e encarnou a tragédia como se fosse uma segunda pele. 
Olhando só para o nome, ficaríamos a pensar que Nádia Piazza é italiana, mas não, é brasileira de nascimento, filha de pais italianos, que os há em abundância no Brasil, são um povo migrante como nós. Veio para Portugal há quase duas décadas, uma delas a viver lá em cima por Pedrógão Grande, sem sonhar que aquela aldeia pacata onde tem casa seria o cenário do seu inferno na terra.... Fiquei a conhecê-la da TV, a partir do momento em que decidiu criar uma associação das vítimas dos incêndios como forma de fazer alguma coisa pelo abandono a que sentiu votadas as gentes, os seus vizinhos e colegas de tragédia. (Alguém sussurrou a meu lado: “morreu-lhe um filho no incêndio, cinco anos”). Nádia, diz também que é este novo trabalho que a tem salvo do que lhe sucedeu. Fazendo um esforço, tento imaginar o que pode ter sido, o que deve ser: o silêncio actual da casa, da sua vida; quase todas as pessoas da sua intimidade desapareceram: filho, ex-marido, sogra, gente com quem se dava bem; ainda visita o sogro, também ele tão desamparado... À noite, calculo, deve ser assombrada sem piedade pelas imagens do que viu quando encontrou o filho, carbonizado ao colo imóvel do pai, como é possível um ser acabar assim? Como fica sem vida uma coisa morta! Nunca mais conseguirá limpar a mente disso, é algo que a acompanhará enquanto a memória exista, o coração lhe bata – não é coisa que precisemos que o diga.

Foi aí, pela Associação, que soube dela e do que lhe tinha sucedido, chamou-me a atenção a deferência que o Presidente da república lhe votava, agradou-me o modo inteligente e pausado como encarava a voragem irreflectida dos microfones e das câmaras, a maneira frontal e muito hábil como, numa das respostas, contornou a pergunta de qual a razão para terem convidado Marcelo Rebelo de Sousa para a ceia de Natal e não o primeiro-ministro. “É Natal, é uma festa íntima, convida-se a família...” Ou a não cedência ao cliché quando outro jornalista, ansioso por amassar a tragédia e o milagre do renascimento em directo para a sua estação, quer saber como se sente ela neste Natal, com tudo quanto de positivo, maravilhoso e solidário está a acontecer, as iniciativas imparáveis, os velhos ursos de peluche enviados do Luxemburgo por meninas que já não são meninas a meninas de Pedrogão que não precisam de ursos usados para nada.
“Um grande vazio”, respondeu Nádia.
Considere, finalmente, o que consta agora por aí e que li com incredulidade nos jornais: esta senhora tem sido maltratada e pressionada.
Nádia Piazza tem sido assertiva no modo como, em nome das vítimas, na função para a qual foi mandatada, interpela o Governo e as entidades que enxameiam a zona dos incêndios com entrevistas, questionários e formulários, e sistematicamente se eternizam na reconstrução das casas, no atraso da entrega do dinheiro que os portugueses deram para isso. Pois, para além das tentativas de exclusão, de classificação de portuguesa de segunda que espreitam dos epítetos de “brasileira manipulada ou manipuladora” que lhe foram dirigidos por gente dominante – os tais que se definem por “um certo determinismo na procura da igualdade” –, parece que a Nádia Piazza tem sido avisada entre dentes, longe de microfones e câmaras, que assim “não leva a água ao seu moinho”, “que não é com vinagre que se caçam moscas” e todos os outros suaves jeitos de ameaça em que são especialistas aqueles que exigem subserviência às ovelhas que pastoreiam.

2. De colar de pérolas com extintor


De colar de pérolas, com extintor
Irei, fogo ameaçador
Submeter o teu ardor

Quando, com alívio, já todos nos julgávamos livres da atarantada figura, eis que ela se prepara para uma sequela, nem três meses são passados sobre os incêndios de 2017. Com a finura de pensamento e a rapidez de decisão que a definem, Constança Urbano de Sousa (CUS) encara a travessia do deserto, para a qual foi exilada por voto unânime da Nação, como se este tivesse a estreiteza das areias de uma praia fluvial. Ei-la, de novo, pronta a enfrentar as agruras da “espuma mediática” que tanto despreza, mesmo que tenha de voltar a desfazer-se em lágrimas. Mas no fundo, isso de meios de comunicação social é algo com que é capaz de lidar com um olho fechado e outro aberto, pois, como diz, “basta ser-se minimamente esperto para dizer o que os jornalistas querem ouvir”.
E ela é minimamente espertalhona, como pode ser lido na entrevista ao Diário de Notícias (dada no passado dia 7 de Janeiro) onde, de tropeço em tropeço por entre as banalidades com que  mimoseia os leitores, CUS não deixa de reafirmar, em duas ocasiões, a profunda admiração (política e pessoal) e a amizade que sente pelo primeiro-ministro Costa e, inquirida sobre se aceitaria uma nova experiência governativa, considera – “apesar de tudo” – a experiência anterior “positiva”, o que nos faz temer o pior. A mulher está mesmo disposta a voltar, parece não lhe chegar ser professora de polícias ou deputada. O que nos separa da desgraça de um regresso é haver alguém que, por medo de perda de votos ou veto, a mantenha onde está, “legalista” e entretida com os Diários da República que tanta ama.
Vou lendo o que mais diz CUS e os olhos entortam-se-me, apetece-me desligar o ruído que espuma sobre as letras, a imagem de Nádia Piazza sobrepõe-se em permanência como um elixir detox da vacuidade da outra. Mas, pessimista, continuo a tropeçar pelas linhas e entrelinhas: CUS viveu muitos anos no estrangeiro, sobretudo na Alemanha, esse país onde “não havia creches”, mas nunca ia a lojas ou restaurantes portugueses, pois afirma-se “uma péssima cliente do negócio da saudade”, e, nessa linha de objectividade quando telefonava para a família duma cabine era só para dizer que estava bem e desligava logo a seguir. Nada de pieguices ou de alimentar o negócio das telecomunicações! Sim, tudo isto faz parte da sua imagem de mulher emancipada e autónoma, onde também cabe o ter aprendido, mais cedo do que os irmãos, a vestir-se e comer sozinha, a fazer o inter-rail por Inglaterra aos quinze anos, apesar de estar longe a ideia de deixar o filho fazer o mesmo. Será que se o deixasse, e se o filho se dedicasse à apanha da framboesa seria despedido, como foi a mãe, ao fim de duas horas por pôr de lado demasiados frutos tocados? Uma péssima cliente das negociatas da fruta silvestre, infiro. Por outro lado, quando é convidada para um cargo importante, decide com a mesma prontidão das framboesas e não consulta ninguém, “nunca ouve a família, nem os meus pais nem os meus filhos...”. Mulher multifacetada e que, ao contrário dos portugueses, pensa profundamente as coisas, CUS não deixa de partilhar com os leitores o que é ser de esquerda e que é “procurar um certo determinismo no sentido da igualdade”, o que, calculo, seja coisa com vários pés de profundidade.

Finalmente, ressalvo para a posteridade as suas duas maiores frustrações,  que são, por um lado, os incêndios e, logo, o “não ter visto os primeiros frutos da lei de programação das estruturas e equipamentos”. Sobre os incêndios diz ainda ser um assunto que levará “para a cova”. Sim, supomos que sim, o assunto devidamente acobertado em dossiê A4,  anti-corrupção e dotado de índice remissivo; e todos os detalhes protocolados com a agência funerária, ao abrigo da legislação em vigor e respeitando o novo acordo ortográfico.  



Nota: Stabat Mater, poema sacro do século XIII, atribuído a S. Boaventura (1221-1274), Ministro-Geral da Ordem dos Franciscanos. O poema viria a ser musicado, entre vários outros, por Antonio Vivaldi (1678-1741), Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) e Gioacchino Rossini (1792-1868).

10 janeiro 2018

JOANINHA AVOA AVOA

Sabendo o que a casa gasta, é de temer o pior perante os pré-anúncios da não continuação de Joana Marques Vidal como Procuradora-Geral da República (PGR). Sublinhe-se que, segundo a Constituição e um acordo, em vigor, de incidência parlamentar firmado pelo PS e pelo PSD, nada impede que um primeiro mandato do PGR (de 6 anos) seja renovado.  Mas será que Joaninha, como era conhecida na escola primária, tem replicado no exercício do cargo a triste figura e o modelo de inacção que caracterizaram os seus antecessores – Souto Moura (2000-2006) e Pinto Monteiro (2006-2012)?
Não, precisamente, a actual PGR quebrou o arremedo de justiça que evitava incomodar os poderosos, ausência de incómodo que podia ser garantida pela conta bancária ou pelo estatuto político: Sócrates (operação Marquês), Salgado (caso BES), Miguel Macedo (vistos Gold), Tancos; e, os últimos podem ser os primeiros, operação Fizz, nome de código para o processo que envolve o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente.
Tudo isto que se citou tem a marca de Joana Marques Vidal, reconheça-se que foi preciso coragem e quando começou a acontecer nem queríamos acreditar no que os nossos olhos viam. Pois aí tem ela a paga pela mão dos seus ‘patrões’ actuais: rua, que se faz tarde! É que ficando na função – argumentam eles anemicamente – pode começar a afrouxar, a amolecer, com o intuito de se poder perpetuar no cargo e agradar aos que a podem reconduzir... Mas não tem sido precisamente o contrário?!
Pois, a gente sabe o que a casa gasta e, desse ponto de vista, é legítimo perguntar aos nossos botões, velcros ou fechos-éclair: quem se preparam eles para querer eleger? Alguém m﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽treparam estes tipos para querer eleger?, algude vista, go e agradar aos que a podem reconduzir. sem a um certo nauntomais palatável, sem dúvida, talvez mais permeável; que diabo, a Justiça deve ser cega mas nem tanto... Ou será que, olhado de uma outra latitude, talvez se pudesse amaciar África com um sinal de fumo desta natureza, anestesiar a violenta reacção do actual presidente angolano contra a alegada interferência portuguesa? Ou talvez tudo junto, ou ainda faltem peças.
Enquanto aguardo que o tempo revele um pouco mais do mistério, dou por mim a trautear uma velha lengalenga: Joaninha avoa avoa/ Que o teu pai foi a Lisboa/ Com um saco de dinheiro/ P'ra pagar ao sapateiro
 

06 janeiro 2018

JÁ DEVIAS ESTAR NA CAMA

Subíamos a Shahid Bagat Singh Road, tínhamos acabado de jantar e que bem jantáramos. Era, portanto, noite e hora de as crianças estarem na cama. Na esquina seguinte deveríamos voltar à direita para a rua que nos levaria ao hotel. É nas esquinas que os pedintes de Bombaim se posicionam muito, questão de estratégia, pois vê-se quem chega de todas as direcções. Geralmente estão sentados no passeio, os indianos têm grande à vontade com o chão, em grupos quase exclusivos de mulheres e crianças. Vigiam atentamente e se percebem um olhar na sua direcção – por leve e disfarçado que seja – atacam de imediato. O enviado é, de habitual, uma criança, uma rapariguinha que se aproxima e nos estende a palma da mão por dinheiro, nos segue pela rua, insistente, por dezenas de metros, silenciosa, aqui e ali beliscando-nos o braço para nos relembrar a sua presença. O truque, o nosso truque, é nunca olhar, até que desistam.
Nessa noite, apesar de já muito passar das nove, havia ainda pedintes naquela esquina. Uma mulher, já de uma certa idade, acampada no passeio e uma criança, muito pequena, encostada às suas saias espraiadas, impossível não reparar. Mal sentiu o nosso olhar, a mulher, provavelmente avó, deu um toque na menina que se levantou prontamente, revelando o seu porte... Era tão nova que ainda não se equilibrava com total desenvoltura e apesar de qualquer desconto de estatura que lhe pudéssemos querer atribuir por alguma, eventual, desnutrição, não teria dois anos. Não, não tinha dois anos, comparei mentalmente com os minúsculos conhecidos e sobrinhos que a essa hora dormiriam nas suas caminhas confortáveis, em quartos de temperatura ajustada e dotados de sistemas de vigilância conectados aos ouvidos ansiosos dos adultos. Ainda mal andava, tinha a tocante falta de segurança na marcha de uma criança a quem os pais se apressam a seguir para lhes corrigir o passo ou amparar o previsível desequilíbrio. Mas a avó não se moveu, e a periclitante menina – enviada na nossa direcção – passou rente a nós e, distraída da missão, preferiu ir debicar o brilho da montra ao lado. Não tinha ainda a precisão, neurológica e psicológica, do alvo.
Para que a conseguisse segurar, dobrei uma nota de cem rupias em quatro, inclinei-me na direcção do chão e enfiei-lha na mãozita morena, fazendo-lhe uma festa na cabeça e apontando-lhe a avó. Mas isso já sabia ela, que essa coisa de notas e moedas tinha como mealheiro os grandes, e balançou sorridente para a avó que, vigilante no seu trono de cimento quadriculado, nos dirigiu um aceno grave de agradecimento. Retribuí o cumprimento e dobrei a esquina, iluminado por essa luz crua com que, sem aviso prévio, a realidade se pode manifestar.  
© Fotografia de pedro serrano, Mumbai (Índia).


30 dezembro 2017

PERNIL ENTREMEIADO

Tornam-se sinistros os personagens ridículos a quem foi conferido (nem que seja pelos próprios) demasiado poder.
1. É o caso de Nicolás Maduro, o homem que se entretém a dar cabo do que ainda resta da Venezuela, e  que, após a campanha para promover a criação massiva de coelhos como forma de resolver a fome que provocou no país, resolveu – agora que foi Natal e a lágrima é mais fácil – enfiar um pernil de porco na meia de cada família venezuelana.
Para isso contava, ao que parece, com a famigerada generosidade do povo português, povo que – derivado do seu muito à vontade com a suinicultura – forneceria os tais pernis, uma tradição de partilha iniciada nos dourados anos em que José Sócrates resolveu estreitar relações com alguns paladinos das democracias sul-americanas que, como ele, adoravam ideias luminosas e negócios-relâmpago. Assina o meu protocolo que eu logo assinarei o teu.
Mas acontece  que os pernis não chegaram a tempo à consoada venezuelana e o povo – farto de feijões e de rapar enlatados – deu-se conta e terá gemido... E lá vem Maduro à TV informar os aguados compatriotas de que teria havido uma cabala e que o culpado tinha nome: “Portugal”, afirmou sonoramente. Inclusive, Nicolás teria já dois imensos navios prontos para transportar o pernil de Lisboa, mas até isso fora boicotado, mais um daqueles golpes contra a soberania venezuelana que o PCP, partido irmão, tanto tem denunciado.
Nos ecrãs portugueses, o Ministro dos Negócios Estrangeiros apressou-se a garantir que o Governo nada tinha a ver com o boicote dos suínos. O suspense, aliás, só seria aliviado no dia seguinte quando o povo luso ficou finalmente a saber que o pernil não seguira uma vez que a Venezuela não paga, desde 2016, as facturas a quem o fornece.

2. Por cá, quem esteve quase quase a ter um sapatinho especialmente recheado foram os partidos políticos, pois, num alinhamento milagroso que só mesmo na quadra natalícia, resolveram cumular-se das bênçãos contidas naquilo a que se tem chamado a “lei do financiamento dos partidos”. Basicamente, segundo o sonho colectivo dos deputados, os partidos deixariam de ter limite na massa que podem açambarcar para se financiar (até agora com um tecto), e deixariam de pagar IVA pelas transacções relacionadas com a sua actividade. Esta maravilha legal, a que todos – com excepção do CDS – deram aval imediato, foi negociada às escondidas por todos eles no período muito conveniente das Festas, quando toda a gente andava entretida com as compras, o Natal dos queimados e o pernil do Maduro. A porra toda foi que o Presidente da República, mau-grado a hérnia entalada e a consoada em Pedrogão, se deu conta da marosca e toca de chamar a atenção dos meninos, do povo... Na consequência, veio a chefe de turma Ana Catarina garantir, na sua infabilidade assertiva, que a solução encontrada, em alargado fórum, não acarretava encargos para o país e para os contribuintes. Pois não, sua espertalhona, talvez nenhum dos dromedários do costume vá ter de pagar mais impostos por causa disso, mas que tal informar o rebanho de quantos milhões de euros deixam de entrar nos cofres do Estado tendo em conta essas isenções do IVA?
Mal, muito mal, nada que a gente já não soubesse que eram capazes, mas desta vez mostrando às claras que são todos da mesma massa, isto é dos mesmos euros, e que por aí se conseguem entender bem, apesar de nunca o parecer possível quando o entendimento são matérias que interessam ao país. Tudo conduzido às escuras, na maior das premeditações e depois, quando se foi descoberto, metendo os pés pelas mãos, com aqueles que horas antes votaram a favor do arranjo a acotovelar-se para serem os primeiros a declarar que, afinal, até eram contra, ou parcialmente contra; ou nunca a favor sem mais nem menos. Resumindo: mais entalados do que a hérnia do Presidente.