01 março 2010

Ó QUE CARAGO!



Ouve lá, ó Deus das Alturas,
Afinal qual é mesmo a tua?
Onde está a puta da lua
Que ainda agora brilhava aqui?


Que "não é tempo dela...”,
“Mas se está Nova”, resmungas
Raio de desculpas mais chungas,
Não convertes o mais reles dos ateus!


Mas quem falou no sol
Ou na alvíssima nuvem
Que, tal branca penugem,
Cocegueia o azul dos céus!?


Se calhar moras confuso
Na tua Infinita certeza
E nunca derivaste a beleza
Da prata a boiar no mar...


Vá, eu peço ajoelhado
Ao Pai, à Mãe e ao Filho,
Mas devolve-me o brilho
Da puta da lua!  
        
© Fotografias de Pedro Serrano. De cima para baixo: (1) e (2) Mafra, (3) Lisboa. (Maio 2010).