24 agosto 2016

OS QUERUBINS ASSÍRIOS

Já deu para perceber que os filhos do embaixador do Iraque em Portugal gostam de se despir em público. Um deles tê-lo-á feito por duas vezes numa discoteca de Ponte de Sôr e fê-lo perante os olhos nacionais na muito pré-arquitectada entrevista concedida à SIC. Foi um gosto ver rapazinhos de dezassete anos (um deles ainda ostentava nos nós dos dedos as marcas deixadas pelos murros que deve ter pregado) a papaguear a lição, tão certeiros nas respostas, tão maduros na análise crítica dos acontecimentos, tão politicamente correctos, mas deixando escapulir no entredito que consideram Portugal um lugar de perdição, onde o álcool é demasiado acessível aos adolescentes, onde menores de 17 anos podem conduzir automóveis diplomáticos, onde raparigas frequentam discotecas em cidades de província... No Iraque natal nada daquilo seria permitido!
Sim, rapazes, estamos de acordo, Portugal é demasiada tentação para o vosso limiar de sensibilidade e uma vez que as diversas ramificações da imunidade diplomática nada deixarão que vos suceda, o melhor é porem-se a andar para lá de Bagdad e levarem o papá junto na mala diplomática. O meu país agradece.
Quanto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português, o costume: pamonhas, é o termo popular mais simpático para categorizar o comportamento, sobretudo no começo dos acontecimentos, antes de o ministro se dar conta que o país estava ao rubro com a ofensa e que o chão onde pousava os pés lhe vacilava. Uma paralisia sempre justificada pelo “não é nós que compete”, o “não podemos fazer nada enquanto... etc.” A reboque da agenda do embaixador do Iraque que, entretanto, publicava comunicados a defender os herdeiros na página da internet da embaixada, apresentava queixa contra desconhecidos, pedia audiências e deslocava-se por iniciativa própria ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. Bela imagem dá a diplomacia portuguesa, a Portugal e ao mundo, onde a notícia já corre em tons de indignação. 

E em nome, supõe-se, da ‘equidistância’ ou do ‘alto interesse nacional’, o senhor ministro não pôde, sequer, telefonar a desejar melhoras à família do agredido. Interrogado sobre o assunto na TV, tentou primeiro iludir a pergunta, respondendo ao lado. Mas parvo é coisa que Rodrigo Guedes de Carvalho não é e logo encostou o suspeito às boxes, insistindo na pergunta. E o importante governante lá teve de confessar que nada tinha feito, mas que se inteira do estado do doente a todo o momento, queremos até crer que o terá em permanência no pensamento, tal como a embaixada do Iraque, onde se reza pelo Ruben diariamente. 
Mas, afinal, o que tem assim o Iraque de tão especial para o superior e enevoado interesse nacional? Petróleo? Ora, pelo amor de Allah, fornecedores não faltam, e vocês já viram o preço a que desceu o barril 

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