21 abril 2014

AS CARPAS



Clareava, e no início
Como se fora um indício
Tocou em braille o telhado
[E dei por mim despertado]

Num sinuoso instante
Atingiu a voz possante
De um regato apressado
[E dei por mim acordado]

Os pássaros
Absortos nas penas da existência
Já não se fazem ouvir
Nas telhas, só a chuva a cair

Uma serena cadência
Repescou a sonolência
Vão as carpas a fugir...  
[Deram por mim a dormir]
Banana madura. © Fotografia: Pedro Serrano, Abril 2014.