14 maio 2011

BOQUIABERTO (ou do perigo de ser careca)

Desde logo, peço aos meus ouvintes absolvição para as palavras algo explícitas que vou usar, mas o assunto é todo ele escabroso, a começar pelo comportamento da Justiça portuguesa, relaxada e inexistente em todas as frentes.
Uma grávida, de oito meses e meio, procura ajuda psicológica. Está deprimida e, a meio da consulta, a decorrer no consultório particular que o psiquiatra mantém na Foz, desfaz-se em choro.
O psiquiatra levanta-se da poltrona e quando a doente levanta os olhos, ainda marejados de lágrimas, vê à frente dos olhos uma piça erecta, pronta a consolá-la. Debilmente, tenta reagir, mas, entretanto, o clínico segurou-lhe a cabeça por trás e, alavancado neste gesto, enfia-lhe a piça na boca. Se não estou louco de todo, chama-se a isto sexo não consentido, praticado por médico, em exercício de funções, perante doente psiquicamente frágil e em estado de infelicidade.
Mais seguro de si pelo que acabara de conseguir, e uma vez que a grávida tentava ir-se embora da sala, o psiquiatra empurrou-a contra um sofá, puxou-lhe para baixo as calças largueironas de grávida e, balbuciando frases adequadas a uma relação médico-doente como "vá, querida, estou excitado", enfiou-lhe a piça na greta, onde se veio confortavelmente. Os jornais, pelos menos os sérios que li, não entram em detalhe quanto à posição do acto, mas tudo leva a supor que a cópula se terá passado na posição conhecida como à canzana (ou de quatro ou à apanha-cavacos), pois foder de frente, na clássica posição do missionário, uma grávida de quase nove meses, não deve ser muito praticável, especialmente nos improvisos apressados de um sofá.
Inconformada com a terapêutica, a grávida queixou-se à Justiça. O médico foi condenado a 30.000 euros de indemnização por danos morais (uma vez que estava fora de questão poder ser acusado de engravidar a queixosa) e a 5 anos de pena suspensa. Indignado, o condenado achou que não lhe estava a ser feita justiça e recorreu da sentença. O tribunal da Relação do Porto achou um exagero o modo como os seus colegas do tribunal de primeira instância tinham decidido sobre os factos e absolveu o médico na totalidade, mandando-o em paz e sem ter, sequer, de abrir a carteira.
Uma das juízas que chegou a este brilhante veredicto final preocupou-se, incansavelmente, em esclarecer o seguinte detalhe crucial: Para garantir o broche, o médico teria ou não agarrado a grávida pelos cabelos? Uma vez que tal parece não ter acontecido, a juíza apagou da apreciação a hipótese de acto violento, pois, segundo o seu superior critério, considerou normal e adequado o gesto de se usar uma mãozinha a almofadar a cabeça de uma senhora para mais comodamente se lhe poder enfiar uma piça na boca. 
Quanto ao empurrão para o sofá, os juízes (com a excepção de um escandalizado dissidente) avaliaram o comportamento como normal e não configurando acto violento, dado que, dizem, de outro modo teria sido praticamente impossível foder uma mulher em tão avançado estado de gravidez. Também acho e, para além do mais, em que estado não iriam ficar os joelhos do pobre médico!
Em atenção às minhas ouvintes do Porto, particularmente aquelas que andarem tristes com a existência e usem o cabelo demasiado curto, termino revelando o nome do meu ilustre colega: João Vasconcelos Villas Boas, sim com duplo "l", o tipo deve ser de boas famílias.


© Fotografias de Pedro Serrano: (1) Praia Areia Branca, 2007; (2) Porto, 2010.