07 março 2020

COVID 19: O FUTURO A DEUS PERTENCE...

DGS afasta restrições em visitas a lares de idosos devido ao coronavírus


A diretora-geral da Saúde garantiu que as autoridades estão preparadas para emitir orientações diferentes numa eventual escalada do risco
(TSF)



'Garantias' e factos:
Contrastem-se as recentes declarações dos mais altos responsáveis do Ministério da Saúde de Portugal (feitas ontem, 6 de Março) com os números divulgados pelo prestigiado Centers for Disease Control sobre: 1) diferença de mortalidade causada pela gripe clássica (à esquerda no gráfico) quando comparada com a causada pelo coronavírus19; 2) idades mais atingidas pelo Covid19 e a respectiva mortalidade. 
O que concluir dos factos demonstrados?: 
Que a mortalidade causada pelo Covid19 é sempre muito maior do que a causada pela gripe e que essa mortalidade é tanto maior quanto mais velhos são os idosos atingidos (nos idosos com 80 anos ou mais é de 0,83 % para a gripe e de 15 % para o Covid19, isto é quase 20 vezes superior para a infecção por coronavírus).
Daqui decorre que tentar comparar o Covid19 com a vulgar gripe, como se tem visto fazer por essas televisões, é um tremendo disparate.
Mais valia estar calado:  
Partindo da realidade conhecida e desconhecendo, até à data, qualquer plano de contingência do Ministério da Saúde português dirigido especificamente ao grande grupo português dos idosos (superior a 2 milhões), não só aos dos lares, mas também aos que frequentam centros de dia, ou aos que ficam em casa e são aí visitados diariamente por cuidadores vários, parece-nos uma leviandade futurológica produzir afirmações públicas como as transcritas no início deste texto. 
Amanhã é demasiado tempo:
A aparente circunstância de as autoridades de saúde portuguesas estarem preparadas para emitir orientações diferentes em caso de "escalada do risco" não tranquilizam: do ponto de vista do planeamento e da execução das medidas práticas, e da máquina que implica montar e olear, para além de hoje será sempre demasiado tarde e, como se sabe, em qualquer área de actividade, desde a Bolsa à Saúde ou à Economia Doméstica, os riscos devem ser antecipados e precavidos, sobretudo numa situação nova em que a realidade  tem demonstrado modificar-se de forma galopante de um dia para o outro.

PS: Agora mesmo, na SIC-notícias, uma senhora (Maria João Quintela) representando as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), e entre outras pérolas de cultura coronística (em que identifiquei os termos proporcional risco, estigma), afirmou que as suas instituições usam como orientação, enquanto esperam que o Ministério da Saúde produza outras mais específicas, as recomendações feitas para as empresas, que também dão a ler aos velhinhos como informação sobre o assunto. Estamos esclarecidos!

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