04 abril 2010

JET LAG

                                              Querido,
Cinco da tarde, 
Cheguei estafada
E a maior maçada
É que a empregada
Tornou a faltar!
Olhe, vou flirtar as montras
Que nada como umas compras
Para a gente ressuscitar.
Ah!, telefonou a sua prima
Nada urgente, volta a ligar
Acho que a seguir ao jantar.
E a propósito disso:
Janta cá a Milice e,
Veja só a tolice,
De decente só há
Uma base de quiche
E nada para lá pôr...
Seja pois um amor
E passe na Babette’s
Compre qualquer coisa
Traga umas courgettes,
Endívias, lichias, salmão
Sei lá, invente uma solução.
Um enorme beijão  

Querida,
Vi o recado
Que deixou abandonado
No Chippendale do hall.
Giríssimo, mas aspas
Tou bocejantemente mole.
Um não sei quê, um tédio
Para qual o remédio
É espreguiçar a tarde.
Vou, talvez com Gérard,
Ao Centro Cultural
Onde arranca hoje
A temporada musical.
E não abre nada mal
Isto é, para Belém,
Até começa muito bem:
Epstein interpretando Bach!
(Não há quem me agarre...)
Assim, não espere por mim
Para o seu jantar
Pois, se a fome tentar,
Trincamos, lá no bar
Eu, e talvez o Gérard,
Uma tosta ou sandwich.
Mil beijinhos à Milice