25 maio 2013

O VENTO E A ROSA

Nos Maias, o romance de Eça de Queiroz, a páginas tantas um dos personagens (o poeta Alencar) cita a Carlos da Maia um fragmento de um poema que escreveu e que reza: 
               Abril chegou! Sê minha 
               Dizia o vento à rosa.
Este ano, o vento bem que podia uivar por rosas em Abril, que nem um botão lhe responderia. Só em Maio, quando acalmaram as chuvas que nos fustigaram todo o inverno e entraram, até tarde, pela primavera, as rosas desabrocharam no meu jardim. As da foto, que pareciam ter por destino inaugurar o azul da jarra que comprei em Jaipur (e foi transportada no tuk-tuk de Mister Shyam), são primeira colheita e no quintal ondulam à brisa rosas brancas, vermelhas, amarelas e umas outras que se confundem numa quase tonalidade de salmão enquanto hesitam entre o rosa e o amarelo.

© Fotografia de Pedro Serrano, Praia da Areia Branca, Maio 2013.