17 fevereiro 2015

ALVÍSSARAS


Se acaso uma manhã eu desaparecer
E não seja, assim, um caso de morrer
Procurem-me naquela ilha à beira-mar
Pode ser que esteja por lá a scismar

Ou talvez que esse leito circundado
Por casario debruçado sobre um lago
Seja o meu, que ali sonha naufragado
Com poentes destingindo-se em dourado

Mas se nem ali houver qualquer sinal
Mais além, na fímbria daquele areal
Rabiscado pela sombra dum coqueiral
Talvez seja quem, lá longe, se vê mal

© Fotografia de Pedro Serrano, Goa, 2011.